Preso maior receptador do País 07/03/2007 fechar

Uma operação da Polícia Civil de São Paulo desbaratou aquela que é considerada a maior quadrilha de compra de cargas roubadas do País. Ao todo, oito pessoas foram presas e cinco carretas carregadas com alimentos foram apreendidas. A ação ocorreu simultaneamente em São Paulo, Minas e Espírito Santo. Entre os presos está o empresário Clélio Luis da Silva Ferreira, proprietário da Universe Distribuidora, a quinta maior do País em faturamento, segundo a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad).

As investigações que desembocaram na Operação Pirâmide começaram em 2006 com a prisão, em dezembro, de Anderson Antônio Noronha, dono da transportadora de cargas Miraminas. “É a transportadora do crime”, disse o delegado Alberto Pereira Matheus, titular da Delegacia de Roubo de Cargas do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). Noronha contou como funcionava o esquema.

Com base em seu depoimento, a polícia passou a escutar os telefonemas dos suspeitos. Gravou 500 horas de conversas. Ao todo, o Deic flagrou a negociação de 40 cargas roubadas, a maioria de alimentos e aparelhos eletroeletrônicos. Estima-se que o grupo receptava até R$ 10 milhões em cargas roubadas ou furtadas por mês.

De acordo com o delegado, os ladrões roubavam as cargas e entravam em contato com Vanderlei Gallardo Rodrigues. Ele comprava as cargas por 20% do valor. Elas eram levadas para a transportadora, no Parque Novo Mundo, na zona norte de São Paulo. Ali o contador do grupo, Widbil Cesar Barbosa, arrumava papéis (notas fiscais etc.) para que a carga pudesse ser transportada.

Caso fosse necessário desligar o rastreador por satélite dos caminhões, os ladrões chamavam outra figura da quadrilha: o técnico Alex Sandro Gonçalves Batista. A mercadoria seguia para Minas, onde ia parar na Universe, ou para o Espírito Santo, onde era comprada pela distribuidora Giromax. O dono da Giromax, Ronaldo Alvarenga Bittencourt, foi preso em uma propriedade de Ferreira e o dono da Universe, em Contagem (MG).

“As distribuidoras pagavam 50% pelo valor das cargas e revendiam as mercadorias até para São Paulo”, contou o delegado. No galpão da Giromax, em Serra (ES), havia cinco carretas com chocolates. Ao todo, 50 policiais participaram da ação. Os presos são acusados de receptação de cargas roubadas e formação de quadrilha.

Fonte:
O Estado de S. Paulo